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"Energia para mim é o que você move; você move o que você é"

Folha (F) - Como você define seu trabalho?
Isis Pristed - Para mim é um trabalho de arte, porque embora eu tenha uma formação acadêmica, com mestrado, psicologia humanista, transpessoal, cheguei num ponto em que tive que me situar. Sem esquecer nada, precisei criar uma obra, fazer uma leitura de tudo isso. Eu trabalho com energia, posso sintetizar assim. Nesta interpretação do meu trabalho também posso falar de healing, que aqui foi traduzido como cura. Não vejo assim. Vejo healing como processo, que pode chegar a cura ou não, porque depende de muita coisa. Mas em resumo posso dizer que trabalho com energia.

F - Qual a sua proposta dentro desse trabalho com energia?
IP - Trabalho com o corpo físico, mas principalmente com os corpos sutis. E dentro disso uso uma metodologia com uma série de exercícios que envolvem circulações de energia. Energia para mim é o que você move, e você move o que está dentro de você. Tem a ver com a sua crença, porque você move tudo o que sente, o que você é. O trabalho com energia busca que você se reconheça, reconheça seu movimento, seu caminho. É o primeiro passo para você reconhecer sua essência.

F - Como é que essa energia se move para gerar o que Jung chamou de “sincronicidade”, que nós entendemos como coincidências?
IP - Para mim é básico uma coisa: todos temos problemas, limitações; também qualidades. Temos nossa essência original, de nascença e temos nossa individualidade. Sempre estamos lidando com as duas coisas e a combinação delas que é fantástico. Para mim existe uma coisa que chamo de ponto de atração; a combinação disso tudo. Eu tenho um ponto de atração e você também tem um. Esse ponto está ligado ao que você tem de verdadeiro dentro de você: a sua individualidade. Quanto mais você cultiva essa relação com sua individualidade, mais você desenvolve o seu verdadeiro ponto de atração e assim, as experiências de sincronicidade.

F - Qual sua preocupação, quando vai trabalhar com uma pessoa?
IP - No meu trabalho não me preocupo se a pessoa vai ou não resolver seu problema, mas sim que aprenda a reconhecer algo em si que a mova. Talvez esse movimento resolva o problema, que para mim significa um bloqueio energético. Muitas vezes na dissolução desse bloqueio tem-se a sua solução, pode-se resgatar um potencial que está preso ali há muito tempo. Não trabalho diretamente com vidas passadas, mas, na minha crença vejo que essa vida é curtíssima para tudo o que a gente move e que há muitas com as quais mexo que não aprendi nessa vida, é um movimento mais amplo, é um movimento com a progressão da alma.

F -  Você chamaria isso de desenvolvimento espiritual?
IP - Com certeza. Embora eu não abuse disso, mesmo porque observo que para as pessoas hoje tudo é espiritual e nada é espiritual... A gente tem uma qualidade que é espiritual sim, e que precisa ser expressada. A razão fundamental de estarmos aqui é nos expressarmos. Neste movimento de expressar temos que combinar uma série de níveis nossos: físico, etérico, emocional, mental e espiritual. Isso tudo tem que se combinar de tal forma que esta energia possa se expressar. Espiritualidade, para mim, não é uma coisa que fica lá em cima, isolada do ser humano. Você tem que trazer isso para o físico, para o aqui e agora e fazer disso uma experiência de valor para você. Que acrescente para você e para os outros. O que eu penso, o que eu sinto lhe afeta, porque é uma energia que está ao meu redor.

F - A consciência disso nos daria responsabilidade, então?
IP - É verdade. Que cuidados que tenho que ter? A questão da responsabilidade tem que ser vista, não de uma maneira pesada, mas tranquila. 

F - Isso explica a base das grandes filosofias orientais: bons pensamentos originam boas ações, não é? Você acha que isso nos levaria à paz mundial?
IP - Com certeza, acho que sim, acho que tá muito ligado a isso.

F - Por que tem tanta gente nova, adolescentes, inclusive, surtando? Do ponto de vista energético, como se explica isso?
IP - Observo que muitos adolescentes não tem valores. Geralmente começo meu trabalho com uma pessoa, perguntando a ela sobre suas crenças. Isso é o básico. Você não pode mover o que idealiza. Você move o que acredita. Eu observo que os adolescentes hoje não têm nenhuma direção; não têm limites, que é outra coisa muito importante. Vejo os adolescentes perdidos.

F - Tem a ver com a família?
IP - Eu acho. Os pais têm que dizer para eles o certo é isso ou, eu acredito que o certo seja isso. Eles precisam de uma direção. A falta de valores eu acho uma coisa muito grave.
 

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Entrevista concedida por Isis Pristed à Revista Folha - Flora, edição nº 3, Maio 1999 - Salvador/BA


Publicado em: 11/03/2025

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